ANPD leva ao Parlamento Europeu defesa de regras internacionais para dados e IA

A Autoridade Nacional de Proteção de Dados defendeu, em sessão especial no Parlamento Europeu, em Bruxelas, a necessidade de maior convergência internacional na regulação voltada à proteção de direitos fundamentais no ambiente digital.

O encontro reuniu representantes do Brasil e da Europa para discutir a evolução das normas globais de proteção de dados, os desafios impostos pela inteligência artificial e a segurança de crianças e adolescentes na internet.

Durante o debate, o diretor-presidente da ANPD, Waldemar Gonçalves, apontou a recente decisão de adequação mútua entre Brasil e União Europeia como um passo relevante nesse processo de aproximação regulatória. Segundo ele, o reconhecimento, pelos europeus, do nível de proteção de dados adotado no Brasil reforça a cooperação internacional no setor.

Gonçalves afirmou que, ao considerar equivalente o padrão brasileiro de proteção de dados pessoais, a União Europeia reconhece que a Lei Geral de Proteção de Dados e a atuação da ANPD estão alinhadas a elevados parâmetros internacionais. Para ele, a medida representa um marco importante nessa agenda.

A ANPD também ressaltou a mudança institucional que transformou a autoridade em agência reguladora com maior autonomia e carreira própria para especialistas. Na avaliação do órgão, essa reestruturação amplia sua capacidade técnica para lidar com os desafios da economia digital e aproxima o modelo brasileiro das autoridades independentes de proteção de dados existentes na Europa.

No debate sobre inteligência artificial, a posição apresentada foi a de que avanço tecnológico e proteção de direitos precisam caminhar de forma conjunta. A autoridade indicou ainda que deverá assumir função relevante na futura governança da IA no Brasil, atuando como regulador residual e coordenador do sistema nacional, especialmente em relação aos sistemas classificados como de alto risco.

A proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital também esteve entre os temas centrais. Representantes da ANPD destacaram as atribuições da instituição na regulamentação do chamado Estatuto Digital da Criança e do Adolescente, que prevê mecanismos de verificação etária e maior fiscalização sobre o tratamento de dados de menores por plataformas digitais.

Na avaliação da delegação brasileira, a aplicação das normas no ambiente digital deve ser guiada pelo melhor interesse da criança.

Hermann Santos de Almirante

Recent Posts

Vazamento de dados da Polícia Civil do Maranhão no PIX é o quinto episódio do ano

O Banco Central (BC) divulgou, nesta sexta-feira (12 de junho de 2026), que registrou ocorrência…

2 dias ago

IA no Setor Público: Responsabilidade, Privacidade de Dados e Transparência no Uso da Inteligência Artificial

A crescente adoção da inteligência artificial na administração pública brasileira traz ganhos significativos de produtividade,…

1 semana ago

Estados norte-americanos aceleram aprovação de leis sobre privacidade e inteligência artificial

Enquanto os Estados Unidos ainda não possuem uma legislação federal abrangente para regular a privacidade…

2 semanas ago

União Europeia adia regras mais rigorosas para IA de alto risco e amplia prazo de adequação

A União Europeia chegou a um acordo político para alterar pontos importantes do AI Act,…

2 semanas ago

Ferramenta da Meta gera preocupações e possível conflito com regras europeias

A Meta está enfrentando questionamentos relacionados à privacidade de dados após a implementação de uma…

2 semanas ago

ANPD amplia debate sobre privacidade de dados em ambiente experimental de Inteligência Artificial

A Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) abriu consulta à sociedade para discutir o…

2 semanas ago