Ferramenta da Meta gera preocupações e possível conflito com regras europeias

A Meta está enfrentando questionamentos relacionados à privacidade de dados após a implementação de uma ferramenta interna destinada a coletar informações sobre como funcionários utilizam computadores corporativos para treinar sistemas de Inteligência Artificial. Segundo documentos internos analisados pela Reuters, a iniciativa possui alcance maior do que o divulgado inicialmente e pode acabar registrando interações envolvendo trabalhadores localizados fora dos Estados Unidos.

O sistema, denominado Model Capability Initiative (MCI), monitora ações como movimentação do mouse, cliques, navegação em menus e uso de aplicativos. O objetivo é gerar dados capazes de ensinar agentes de IA a executar tarefas digitais de forma autônoma, simulando o comportamento humano em ambientes computacionais. A ferramenta opera em mais de 200 aplicações e serviços utilizados pelos colaboradores.

A principal controvérsia envolve a possibilidade de captura de comunicações com funcionários localizados na União Europeia. Documentos internos indicam que mensagens e e-mails trocados com empregados norte-americanos podem ser registrados pelo sistema, independentemente da localização do remetente. Especialistas em proteção de dados afirmam que essa prática pode gerar questionamentos sob o Regulamento Geral de Proteção de Dados (GDPR), especialmente em relação ao princípio da limitação de finalidade.

Organizações voltadas à defesa da privacidade argumentam que dados originalmente produzidos para fins de comunicação e execução do contrato de trabalho não deveriam ser reutilizados para treinamento de modelos de Inteligência Artificial sem uma base legal adequada. A preocupação aumenta diante das informações de que determinados registros coletados poderiam dificultar o exercício de direitos previstos na legislação europeia, como acesso, correção ou exclusão de dados pessoais.

A Meta afirma que avaliou previamente os riscos à privacidade e adotou medidas para reduzir impactos sobre informações sensíveis. A empresa também sustenta que o foco da iniciativa está na observação das interações entre usuários e sistemas computacionais, e não no conteúdo propriamente dito das comunicações. Ainda assim, autoridades reguladoras e entidades especializadas acompanham o caso devido às possíveis implicações para a proteção de dados pessoais e para a governança de sistemas de IA.

Leia mais em: https://www.reuters.com/business/meta-tool-track-employee-mouse-clicks-collision-course-with-eu-privacy-rules-2026-05-29

Hermann Santos de Almirante

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