OAB-SP: Protestos não justifica MP para atropelar Justiça e Marco Civil

A decisão do governo petista de apertar as plataformas na internet para evitar repetições do 8 de janeiro acendeu um movimento de alerta: depois de entidades de direitos digitais, agora a secção paulista da Ordem dos Advogados do Brasil pede cautela. 

“Há grande preocupação sobre os riscos representados por respostas inadequadas provindas de um processo unilateral, pouco participativo e apressado, com efeitos potencialmente negativos para a estrutura de direitos digitais no Brasil”, diz a nota da OAB-SP

Em 27/1, o presidente recebeu do ministro da Justiça, Flávio Dino, uma série de propostas de medidas como reação aos ataques antidemocráticos. Entre elas, o ministro sinalizou uma Medida Provisória para, segundo explicou Dino, obrigar as plataformas online a remover conteúdos “que correspondam a crimes tipificados no Código Penal e na Lei Antiterrorismo”. 

Como lembra a OAB-SP, até aqui o que existe são as declarações do ministro. Nenhum texto dessa minuta de MP foi apresentado. Mas a indicação de que haverá remoção de conteúdo sem necessária ordem judicial, atropelando o que é previsto na Lei 12.965/14, o Marco Civil da Internet, e a jurisprudência que vem se consolidando desde então. 

“Normas como o artigo 19 do MCI são responsáveis pela manutenção de um equilíbrio frágil que protege, de um lado, a liberdade de expressão dos usuários de internet e, do outro, a inovação no setor de novas tecnologias. A notícia de que o texto da MP poderia criar “uma exceção ao artigo 19” e exige que plataformas removam ataques ao Estado de Direito sem ordem judicial prévia é altamente preocupante. Uma reforma dessa magnitude, que se presta a modificar o núcleo da regulação do tema no país, não pode ser implementada sem debate robusto e prévio”, diz a OAB-SP. 

“Não há dúvidas sobre a gravidade do ocorrido no último dia 8 de janeiro e a ameaça representada pela desinformação ao Estado Democrático de Direito. Mas, ainda estamos longe de consenso sobre as respostas que devem ser dadas e as soluções que precisam ser construídas”, diz ainda a entidade. 

Hermann Santos de Almirante

Recent Posts

Itaú Unibanco e Google lançam recurso para bloquear golpe da falsa central telefônica

O Itaú Unibanco anunciou uma parceria com o Google para reforçar o combate ao golpe…

1 semana ago

Cemig confirma incidente cibernético com exposição de dados de 135 mil clientes

A Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) confirmou a ocorrência de um incidente de segurança…

1 semana ago

Banco Central: Novo vazamento de chaves Pix reacende debate sobre proteção de dados pessoais

O Banco Central comunicou um novo incidente de segurança envolvendo dados vinculados a chaves Pix,…

1 semana ago

Onde a LGPD não se aplica: exceções legais, inteligência artificial e comparação com a GDPR

A LGPD é a regra geral para o tratamento de dados pessoais no Brasil, mas…

2 semanas ago

Meta encerra criptografia ponta a ponta opcional no Instagram

A Meta desativou oficialmente, em 08 de maio de 2026, o recurso de criptografia ponta…

2 semanas ago

Quando dados viram poder de mercado: UE prepara nova orientação sobre concorrência e proteção de dados

A Comissão Europeia e o Comitê Europeu de Proteção de Dados, o EDPB, deram mais…

2 semanas ago