ANPD estabelece diretrizes para verificação de idade em plataformas digitais e reforça exigências do ECA Digital

A Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) divulgou suas primeiras orientações sobre mecanismos de verificação de idade em plataformas digitais, em meio à entrada em vigor do chamado ECA Digital, que amplia a proteção de crianças e adolescentes no ambiente online.

As diretrizes representam um passo inicial para orientar empresas de tecnologia sobre como implementar sistemas mais seguros e eficazes de aferição etária, substituindo práticas consideradas frágeis, como a simples autodeclaração de idade pelo usuário. Essa mudança decorre diretamente das novas exigências legais, que passam a demandar métodos confiáveis para impedir o acesso de menores a conteúdos e serviços inadequados.

No contexto do ECA Digital (Lei nº 15.211/2025), a verificação de idade tornou-se obrigação legal para plataformas digitais, marketplaces, redes sociais, jogos e serviços online em geral. A norma determina que empresas adotem mecanismos proporcionais ao risco da atividade, podendo incluir desde validações documentais até soluções tecnológicas mais robustas, como biometria ou cruzamento de dados.

A nova legislação, em vigor desde março de 2026, proíbe expressamente o uso exclusivo da autodeclaração para acesso a conteúdos restritos e impõe a responsabilidade direta das plataformas na proteção de menores.

Além da verificação etária, o ECA Digital estabelece um conjunto mais amplo de obrigações, entre elas:

  • vinculação de contas de usuários menores de 16 anos a responsáveis legais, com mecanismos de supervisão parental;
  • limitação da coleta e do uso de dados pessoais de crianças e adolescentes, com finalidade estrita e transparente;
  • adoção de design seguro por padrão, com foco na proteção da privacidade e no desenvolvimento saudável do menor;
  • restrições à publicidade direcionada e a práticas que incentivem o consumo ou exposição indevida;
  • obrigação de impedir acesso de menores a produtos e serviços proibidos, como apostas, bebidas alcoólicas e conteúdos adultos.

A ANPD também sinaliza que a implementação dessas medidas deve observar os princípios da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), especialmente no que se refere à minimização de dados, finalidade e segurança da informação. Isso significa que os dados coletados para verificação de idade não podem ser reutilizados para fins comerciais ou de perfilamento.

Outro ponto relevante destacado nas orientações é a necessidade de abordagem baseada em risco. Plataformas com maior potencial de impacto sobre o público infantojuvenil devem adotar controles mais rigorosos, enquanto serviços de menor risco podem aplicar métodos mais simples, desde que eficazes.

A autoridade reguladora já iniciou ações de monitoramento e fiscalização, com foco em empresas que exercem influência significativa sobre crianças e adolescentes no ambiente digital.


O avanço regulatório ocorre em um cenário de crescente preocupação com a exposição de menores a conteúdos impróprios, exploração comercial e uso indevido de dados pessoais.

O ECA Digital surge, assim, como uma extensão do Estatuto da Criança e do Adolescente para o ambiente virtual, reforçando o princípio da proteção integral e da prioridade absoluta desse público também no contexto tecnológico.

Hermann Santos de Almirante

Recent Posts

Menos de 1% dos grandes sites brasileiros está preparado para agentes de IA

Estudo mostra forte contraste entre a maturidade do SEO tradicional e a capacidade dos sites…

6 dias ago

Crianças estão criando vínculos emocionais com IA: pesquisas revelam uma nova preocupação

Inteligências artificiais já são utilizadas por crianças e adolescentes para falar sobre sentimentos, problemas pessoais…

2 semanas ago

Companheiros virtuais de IA: países investigam riscos para crianças e adolescentes

Aplicativos que simulam amizade e relacionamentos afetivos com inteligência artificial levantam preocupações sobre dependência emocional,…

2 semanas ago

Ataques cibernéticos contra tribunais: PF investiga conexão entre invasões na Bahia, Mato Grosso e Senado

Incidentes de segurança atingem sist. do Judiciário, comprometem a continuidade de serviços e levantam suspeitas…

2 semanas ago

Seu rosto virou senha? Mercado Livre e Mercado Pago são questionados por exigência de reconhecimento facial

Idec aciona o Ministério Público Federal e levanta um debate sobre os limites da biometria,…

2 semanas ago

Crime movimentou US$ 154 bilhões em criptomoedas: como funcionam as novas redes criminosas digitais

Estudo da Chainalysis revela crescimento de 162% nas transações ilícitas em 2025, avanço dos golpes…

2 semanas ago