Nuvem do Governo: órgãos decidem quais dados ficam dentro ou fora do Brasil

O governo federal, por meio da Secretaria de Gestão do Ministério da Economia, assina nos próximos dias o novo contrato para prestação de serviços de nuvem pública para os órgãos da administração federal. Por R$ 65 milhões por ano, o novo contrato parte com 52 órgãos públicos e viabiliza a meta da Estratégia de Governo Digital de desativar pelo menos 30 datacenters próprios até 2023. 

“Essa contratação é um marco da ida definitiva da administração pública federal para a computação em nuvem. Na contratação anterior vários órgãos ainda receosos, era uma primeira experiência. Mas a nuvem se consolidou, é adotada mundialmente no setor público e no setor privado e os números desta contratação provam isso”, afirma o secretário de gestão do Ministério da Economia, Cristiano Heckert. 

“Temos o dobro de órgãos de largada, passamos de 26 para 52. E uma contratação que foi estimada inicialmente em R$ 370 milhões mas que num processo amplamente competitivo resultou numa economia de 82%, chegando na proposta vencedora próxima a R$ 65 milhões por ano. E sem falar na adesão que virá ao longo da vigência da ata”, emenda. 

Em entrevista ao site Convergência Digital, Heckert e a diretora da Central de Compras, Lara Brainer, contam como vai funcionar a nova contratação de nuvem federal, vencida pela Extreme Digital Solutions, que substitui a Claro como integradora e triplica os fornecedores à disposição do governo, com AWS, Huawei e Google. 

“Vamos começar com a implantação do contrato dos que já estão na ata. Depois vamos nos órgãos que fariam prorrogações para que a gente defina o que é mais vantajoso, se prorrogar o contrato que já têm ou fazer uma contratação nova. Em sendo contratação nova, a prioridade é adesão dessa ata. Principalmente por conta do valor que ficou mais baixo que o valor de mercado”, explica Lara Brainer.

Cada órgão contratante vai decidir quais serviços utilização essa ou aquela nuvem dentre as três fornecedoras parceiras da integradora EDS, bem como a alocação dos dados, se no Brasil ou exterior, a depender do que pode ou não ser armazenado fora do país ou da sensibilidade das informações. E, como mencionado, avançar na meta de substituição dos datacenters próprios pelo serviço sob demanda. 

“Todos os órgãos públicos estão passando por uma transformação digital, que exigem infraestrutura. E no momento que a gente toma a decisão de ao invés de manter essa estrutura dentro do próprio órgão, mas contratar um fornecedor que vai fornecer isso remotamente, o órgão ganha ao delegar para alguém mais especializado e que consegue fazer mais barata a gestão do parte computacional”, diz o secretário Cristiano Heckert. 

Hermann Santos de Almirante

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