Justiça reconhece à mãe direito a patrimônio digital de filha falecida

A 3ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo reconheceu o direito de mãe a patrimônio digital de filha falecida. Segundo os autos, após a morte da filha, a apelante solicitou o desbloqueio do celular junto à empresa responsável pelo serviço, alegando ser a única herdeira e ter direito aos bens deixados pela filha, o que incluiria o acervo digital do aparelho. 

Para o relator do acórdão, desembargador Carlos Alberto de Salles, apesar da inexistência de regulamentação legal específica, o patrimônio digital de pessoa falecida, considerado seu conteúdo afetivo e econômico, pode integrar o espólio e, assim, ser objeto de sucessão.

“Não se verifica justificativa para obstar o direito da única herdeira de ter acesso às memórias da filha falecida, não se vislumbrando, no contexto dos autos, violação a eventual direito da personalidade da de cujus, notadamente pela ausência de disposição específica contrária ao acesso de seus dados digitais pela família. Acrescente-se, ainda, que não houve resistência da apelada ao pedido de transferência de acesso à conta da falecida, desde que houvesse prévia decisão judicial a esse respeito”, escreveu.

Completaram a turma julgadora os desembargadores João Pazine Neto e Donegá Morandini. A decisão foi unânime.

* Com informações do TJSP

Hermann Santos de Almirante

Recent Posts

Europa Adota Sistema Unificado de Verificação de Idade: Avanço ou Risco à Privacidade?

A União Europeia deu um passo decisivo na regulamentação do ambiente digital com a implementação…

2 dias ago

Empresa que opera sistema usado por polícias no Brasil é alvo de vazamento de hackers

Um suposto vazamento de dados envolvendo a empresa brasileira Dígitro, fornecedora de sistemas de inteligência…

4 dias ago

Booking.com alerta para vazamento de dados

A Booking.com confirmou que sofreu uma invasão cibernética e informou que agentes não autorizados conseguiram…

4 dias ago

Soberania de dados avança no mundo e pressiona o mercado de nuvem a rever arquitetura, contratos e governança

A soberania de dados deixou de ser um debate restrito a governos e áreas regulatórias…

1 semana ago

Maioria dos brasileiros ainda não compreende os algoritmos; deepfakes já entram na rotina digital

Os brasileiros estão cada vez mais expostos à lógica automatizada das plataformas, mas ainda entendem…

1 semana ago

STJ barra relatório feito com IA como prova penal e fixa limites para uso em investigação

O Superior Tribunal de Justiça firmou um precedente relevante para o uso de inteligência artificial…

1 semana ago