Justiça solicita manifestação da ANPD e do MEC sobre reconhecimento facial em escolas do Paraná

A Justiça do Paraná determinou que a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) e o Ministério da Educação (MEC) se manifestem sobre a utilização de sistemas de reconhecimento facial nas escolas públicas estaduais. A medida foi adotada pela 1ª Vara da Fazenda Pública de Campo Mourão, no âmbito de ação civil pública movida pelo Ministério Público do Paraná.

Na ação, o Ministério Público pede a suspensão imediata e a proibição do uso da tecnologia para controlar a frequência dos estudantes. Os réus são o Governo do Estado do Paraná e a Companhia de Tecnologia da Informação e Comunicação do Paraná (Celepar).

Segundo o Ministério Público, a coleta e o tratamento de dados biométricos de crianças e adolescentes teriam ocorrido sem base legal adequada e mediante consentimento considerado inválido. O órgão sustenta que a prática contraria dispositivos e princípios da Lei Geral de Proteção de Dados, especialmente os relacionados à finalidade, transparência, necessidade e autodeterminação informativa.

Além da interrupção do tratamento dos dados biométricos, a ação requer que o Governo do Paraná e a Celepar sejam condenados, de forma solidária, ao pagamento de R$ 15 milhões por danos morais coletivos.

Ao determinar a manifestação dos órgãos federais, o juiz Vitor Toffoli destacou que o MEC é responsável pela coordenação da política nacional de educação, enquanto a ANPD possui atribuições relacionadas à regulamentação e à fiscalização da proteção de dados pessoais, inclusive de crianças e adolescentes no ambiente digital.

As informações apresentadas pelo MEC e pela ANPD deverão auxiliar a Justiça na definição das responsabilidades de fiscalização e fornecer elementos técnicos e institucionais para a análise do caso.

O codiretor da organização Data Privacy Brasil, Rafael Zanatta, avaliou que a participação dos dois órgãos é relevante, considerando os debates promovidos pela ANPD sobre o tratamento de dados biométricos e as orientações do MEC relacionadas ao uso de novas tecnologias no ensino.

Para a entidade, o sistema adotado no Paraná apresenta riscos à privacidade de milhares de estudantes e não demonstraria benefícios diretamente relacionados à melhoria da qualidade da educação.

Hermann Santos de Almirante

Recent Posts

Menos de 1% dos grandes sites brasileiros está preparado para agentes de IA

Estudo mostra forte contraste entre a maturidade do SEO tradicional e a capacidade dos sites…

1 semana ago

Crianças estão criando vínculos emocionais com IA: pesquisas revelam uma nova preocupação

Inteligências artificiais já são utilizadas por crianças e adolescentes para falar sobre sentimentos, problemas pessoais…

2 semanas ago

Companheiros virtuais de IA: países investigam riscos para crianças e adolescentes

Aplicativos que simulam amizade e relacionamentos afetivos com inteligência artificial levantam preocupações sobre dependência emocional,…

2 semanas ago

Ataques cibernéticos contra tribunais: PF investiga conexão entre invasões na Bahia, Mato Grosso e Senado

Incidentes de segurança atingem sist. do Judiciário, comprometem a continuidade de serviços e levantam suspeitas…

2 semanas ago

Seu rosto virou senha? Mercado Livre e Mercado Pago são questionados por exigência de reconhecimento facial

Idec aciona o Ministério Público Federal e levanta um debate sobre os limites da biometria,…

2 semanas ago

Crime movimentou US$ 154 bilhões em criptomoedas: como funcionam as novas redes criminosas digitais

Estudo da Chainalysis revela crescimento de 162% nas transações ilícitas em 2025, avanço dos golpes…

2 semanas ago