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Inteligência Artificial acelera consumo de dados e coloca redes corporativas brasileiras sob pressão

A rápida adoção da Inteligência Artificial (IA) deixou de representar apenas um desafio para equipes de desenvolvimento ou departamentos de tecnologia. Agora, ela começa a pressionar um dos pilares da infraestrutura digital das empresas: as redes corporativas.

Estudos recentes apontam que muitas organizações brasileiras poderão atingir o limite de capacidade de suas redes nos próximos dois anos caso não acelerem investimentos em conectividade, Wi-Fi, segurança, data centers e observabilidade. O crescimento da IA generativa e, principalmente, da chamada IA agêntica — capaz de executar tarefas de forma autônoma — promete multiplicar exponencialmente o volume de dados trafegados dentro das empresas.

Tráfego de rede poderá triplicar

Uma pesquisa global conduzida pela Cisco em parceria com a Foundry Research ouviu 3.472 líderes de TI e revelou um cenário preocupante para a infraestrutura corporativa.

No Brasil:

  • 74% das organizações afirmam que precisarão modernizar suas redes;
  • 71% acreditam que sua infraestrutura atingirá o limite de capacidade em até 24 meses;
  • 82% dizem confiar mais em suas estratégias de IA do que na capacidade atual das redes para sustentá-las;
  • 95% relatam dificuldades para acompanhar o aumento das ameaças de segurança impulsionadas pela IA;
  • 91% apontam restrições orçamentárias como o principal obstáculo para a modernização da infraestrutura.

Segundo o levantamento, o tráfego de dados gerado por aplicações de IA poderá triplicar nos próximos três anos, impulsionado principalmente pela adoção de agentes inteligentes capazes de realizar consultas, processar documentos, interagir com múltiplos sistemas e executar tarefas continuamente.

A IA deixou de ser um experimento

A Inteligência Artificial vem sendo incorporada rapidamente ao ambiente corporativo brasileiro.

Dados da pesquisa TIC Empresas 2025, produzida pelo Cetic.br, mostram que 17% das empresas brasileiras já utilizam IA, ante 13% no levantamento anterior.

O crescimento é ainda mais expressivo entre grandes organizações:

Porte da empresaUso de IA
Pequenas empresas15%
Grandes empresas50%

O estudo mostra ainda que:

  • 80% das empresas compram soluções prontas de IA;
  • 60% contratam fornecedores especializados;
  • o desenvolvimento interno de soluções cresce rapidamente entre grandes organizações;
  • ferramentas de processamento de linguagem natural lideram a expansão da tecnologia. (Cetic.br)

Na prática, isso significa que milhares de novos modelos de IA estão sendo conectados diariamente aos ambientes corporativos, consumindo processamento em nuvem, APIs, bancos de dados e largura de banda.

Infraestrutura precisa acompanhar a evolução

Durante anos, muitas empresas dimensionaram suas redes pensando em aplicações tradicionais, como e-mail, videoconferências, ERPs e armazenamento em nuvem.

A IA muda completamente esse cenário.

Modelos generativos realizam consultas constantes a servidores, trocam grandes volumes de dados e executam inferências em tempo real. Quando diversos departamentos passam a utilizar essas ferramentas simultaneamente, a demanda por capacidade cresce de forma acelerada.

Entre os componentes mais pressionados estão:

  • redes Wi-Fi corporativas;
  • switches de alta capacidade;
  • links de Internet;
  • redes definidas por software (SD-WAN);
  • data centers;
  • infraestrutura de nuvem híbrida.

Segundo o estudo da Cisco, o Wi-Fi aparece como um dos maiores gargalos identificados pelas empresas, exigindo atualização tecnológica para suportar aplicações de IA em larga escala. (TELETIME News)

Segurança se torna prioridade

O crescimento da IA também amplia significativamente a superfície de ataque das organizações.

Ferramentas de IA podem ser exploradas para:

  • geração automática de phishing altamente personalizado;
  • criação de códigos maliciosos;
  • automatização de ataques;
  • produção de deepfakes;
  • engenharia social mais sofisticada.

Não por acaso, 95% das empresas brasileiras afirmam ter dificuldade para acompanhar a evolução dessas novas ameaças.

Outro desafio é a observabilidade. Sistemas tradicionais de monitoramento foram projetados para aplicações convencionais e muitas vezes não conseguem acompanhar a comunicação dinâmica entre múltiplos agentes de IA distribuídos em diferentes ambientes de nuvem.

Conectividade brasileira também evolui

Apesar da pressão crescente, a infraestrutura nacional apresenta avanços importantes.

A pesquisa TIC Empresas revela que:

  • 93% das empresas brasileiras já utilizam fibra óptica;
  • 35% contratam conexões superiores a 500 Mbps, contra 28% no ano anterior;
  • o uso de processamento em nuvem permanece em expansão;
  • dispositivos de Internet das Coisas (IoT) já estão presentes em 14% das empresas. (Cetic.br)

Esses indicadores mostram que a base tecnológica está evoluindo, embora ainda exista um descompasso entre a velocidade de adoção da IA e o ritmo de atualização das redes corporativas.

IA agêntica muda o paradigma

Especialistas apontam que a próxima grande transformação será impulsionada pela IA agêntica.

Diferentemente dos assistentes atuais, esses sistemas executam tarefas completas de maneira autônoma, coordenando múltiplas aplicações, bancos de dados e serviços digitais.

Segundo previsões do Gartner, até 2026 cerca de 40% das aplicações empresariais deverão incorporar agentes inteligentes especializados, contra menos de 5% em 2025. A consultoria estima ainda que esse movimento redefinirá a arquitetura das aplicações corporativas ao longo da próxima década. (ABES)

Essa mudança exigirá redes mais rápidas, menor latência, maior capacidade de processamento distribuído e mecanismos avançados de segurança.

O desafio deixa de ser tecnológico e passa a ser estratégico

Até poucos anos atrás, investir em infraestrutura de rede era visto principalmente como uma decisão operacional.

Com a expansão da Inteligência Artificial, essa percepção mudou.

A capacidade da rede passa a influenciar diretamente a produtividade, a automação de processos, a experiência dos usuários e a competitividade das empresas.

Organizações que atrasarem a modernização de sua infraestrutura poderão enfrentar gargalos operacionais justamente no momento em que a IA começa a se consolidar como um dos principais motores da transformação digital. Enquanto isso, aquelas que investirem antecipadamente em conectividade, segurança, computação em nuvem e observabilidade estarão mais preparadas para explorar o potencial da próxima geração de aplicações inteligentes.

Hermann Santos de Almirante

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