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Ele cortou 13 Mil empregos e diz que vai ficar pior: a Profecia da IA que o CEO da Verizon não tem medo de fazer

O executivo que comanda a maior operadora móvel dos EUA fez uma previsão que poucos líderes corporativos ousam pronunciar em voz alta: a inteligência artificial pode destruir entre 20% e 30% dos empregos nos próximos três a cinco anos. E ele afirma que, gostemos ou não, isso é irreversível.

Dan Schulman, CEO da Verizon desde outubro de 2025, defendeu em entrevista ao The Wall Street Journal que as empresas têm obrigação de ser transparentes com seus funcionários sobre o impacto real da IA no mercado de trabalho. Para ele, o momento atual é “muito difícil” e exige comunicação direta — sem eufemismos. “Ser autêntico, realista e dizer a verdade, tanto quanto possível, é essencial”, declarou o executivo.

A declaração ganha contornos ainda mais provocadores quando se considera o contexto: meses antes, a própria Verizon anunciou um plano de reestruturação que eliminou mais de 13 mil postos de trabalho. Na época, Schulman — ex-CEO da PayPal — evitou atribuir as demissões diretamente ao avanço da IA, enfatizando a busca por eficiência operacional. A empresa criou um fundo de US$ 20 milhões para requalificação profissional e apoio à recolocação dos trabalhadores afetados.

Mas o prognóstico de Schulman vai muito além dos muros da Verizon. Ele estima que a automação baseada em IA provocará uma onda de desemprego estrutural sem precedentes, e que a adaptação — tanto das empresas quanto dos trabalhadores — não será opcional.

Para preparar sua própria equipe para essa realidade, o executivo adota uma abordagem inusitada: incentiva os funcionários a escrever poemas com IA, debater o tema com familiares e até criar versões automatizadas de seus próprios obituários — um exercício simbólico para compreender como sistemas inteligentes interpretam trajetórias humanas.

As projeções de Schulman encontram respaldo em pesquisas independentes. Relatório recente da Boston Consulting Group, citado pelo WSJ, estima que a IA deverá remodelar cerca de metade dos empregos nos Estados Unidos nos próximos dois a três anos, com eliminação direta de aproximadamente 15% das vagas.

O executivo ainda antecipou que a inteligência artificial poderá atingir capacidade comparável à humana ainda no fim de 2026. Além disso, alertou para dois outros vetores de disrupção que se aproximam: os robôs humanoides, com potencial de impactar empregos manuais em larga escala, e a computação quântica, que deve desencadear uma nova onda de transformações tecnológicas.

A pergunta que fica no ar — e que Schulman parece não se incomodar em deixar sem resposta — é: se os líderes já sabem o tamanho do impacto, por que tão poucos têm coragem de dizê-lo?

Sua Profissão Está na Mira da IA? Veja o Perfil das Ocupações Mais Vulneráveis à Automação

O critério que define o risco

Antes de listar as profissões, é essencial compreender a lógica que determina a vulnerabilidade. Quanto menor a necessidade de contexto, ética, negociação e criatividade situacional, maior a chance de automação. Problemas bem definidos e dados abundantes tendem a migrar para a inteligência artificial primeiro. Tarefas que exigem julgamento, empatia, coordenação entre áreas e aprendizado em cenários inéditos costumam resistir.

Em termos práticos, o impacto não recai sobre cargos inteiros, mas sobre tarefas específicas dentro de cada ocupação. A IA aumenta produtividade, retira da rotina tarefas operacionais e permite que profissionais atuem de forma mais estratégica. A mudança não elimina o trabalhador — ela redefine como ele trabalha.

A metodologia mais robusta: Microsoft Research

O estudo da Microsoft, intitulado “Working with AI: Measuring the Occupational Implications of Generative AI”, destaca por que profissões ligadas à linguagem, produção de conteúdo e tarefas repetitivas baseadas em dados estão mais propensas à automação. A pesquisa analisou interações reais de profissionais com o Copilot ao longo de nove meses de 2024, mapeando as profissões mais vulneráveis à automação com base em dados concretos de uso — e não em previsões teóricas.

As profissões em maior risco

As ocupações mais vulneráveis à IA são aquelas baseadas em comunicação, análise de informações e geração de conteúdo. Intérpretes, tradutores, redatores, jornalistas e professores universitários de Negócios aparecem no topo da lista. Esses trabalhos geralmente envolvem habilidades cognitivas que a IA está aprendendo a simular com cada vez mais precisão, como redigir textos, traduzir documentos, responder dúvidas e organizar dados.

Também aparecem na lista jornalistas, atendentes de suporte ao cliente, agentes de viagens, operadores de telefonia e locutores.

A tabela abaixo sintetiza os grupos mais expostos por setor:

SetorOcupações em riscoFator de vulnerabilidade
Comunicação e mídiaJornalistas, redatores, locutores, editoresGeração e síntese de conteúdo textual
Serviços linguísticosIntérpretes, tradutoresModelos de linguagem multilíngues
Atendimento ao clienteOperadores de call center, agentes de suporteChatbots e assistentes virtuais
Tecnologia da informaçãoProgramadores júnior, data entryGeração automática de código e OCR
Área administrativaAuxiliares administrativos, secretáriasAutomação de fluxos e documentos
Finanças e dadosAnalistas de pesquisa de mercado, contadoresPlataformas de análise automatizada
Viagens e logísticaAgentes de viagens, operadores de reservaSistemas integrados de IA
Saúde regulatóriaFarmacêuticos em áreas regulatóriasCruzamento de dados e normas

O impacto no Brasil

A inteligência artificial generativa deve impactar 31,3 milhões de empregos no Brasil e afetar ao menos 13 áreas profissionais, que representam 5,538 milhões de trabalhadores, segundo análise da consultoria LCA 4intelligence com base em estudo da OIT.

O setor público, por concentrar o maior número de cargos administrativos, apresenta funções mais suscetíveis à automação. A proporção de trabalhadores brasileiros com algum tipo de exposição à IA subiu de 26,8%, em 2012, para 30,5%, em 2025.

Um dado relevante para o recorte geracional: desde 2024, houve redução das contratações de jovens de 22 a 25 anos em funções classificadas como altamente expostas à automação. A entrada de novos profissionais nessas áreas caiu 14% em comparação ao período anterior ao lançamento do ChatGPT.

O mercado para trabalhadores experientes ainda se mantém estável, sinalizando que o principal impacto atual está no momento do ingresso — e não para profissionais consolidados.

As profissões mais protegidas

As ocupações menos ameaçadas são aquelas que exigem habilidades físicas e interação humana. Profissões como técnicos de enfermagem, massoterapeutas e operadores de máquinas estão entre as menos afetadas, pois envolvem tarefas que a IA ainda não consegue replicar adequadamente.

Áreas que dependem de interação direta e execução física, como manutenção e agricultura, mantêm taxas de exposição à automação quase nulas.

O que fazer diante desse cenário

Aumentar a alavancagem aprendendo a usar IA como copiloto, subir na cadeia de valor com foco em diagnóstico e estratégia, especializar-se em nichos regulados ou de alta responsabilidade e criar ativos como bibliotecas de prompts e dashboards proprietários são caminhos recomendados por especialistas.

Hermann Santos de Almirante

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