ANPD faz estudo e abre processo sobre coleta e uso de dados pelas farmácias

Após estudar a coleta e uso de dados no setor farmacêutico e o recebimento de denúncias de titulares de dados e de investigações jornalísticas sobre o tema, o Conselho Diretor da ANPD determinou a instauração de procedimento fiscalizatório pela Coordenação-Geral de Fiscalização (CGF) e a análise dos limites do consentimento como hipótese legal na concessão de descontos pelo setor, especialmente em programas de fidelização, em cooperação com a Secretaria Nacional do Consumidor.  

Com os insumos, a Coordenação-Geral de Normatização (CGN) poderá elaborar medidas orientativas direcionadas ao setor. Um primeiro raio X das farmácias está na Nota Técnica nº 4/2022/CGTP/ANPD, que traz uma série de constatações sobre o uso de dados pessoais no setor farmacêutico.  

Esse estudo começou em 2020, também a partir de denúncias. As principais constatações mostram que algumas práticas de tratamento de dados pessoais ainda não estavam em completa conformidade com a legislação, incluindo o tratamento de dados pessoais para finalidades diferentes daquelas indicadas aos titulares e indícios de coleta excessiva de dados pessoais, incluindo dados pessoais sensíveis, sem informações claras sobre como esses dados são tratados. 

Outra questão identificada foi a falta de transparência em relação ao compartilhamento de dados com prestadores de serviços e demais parceiros comerciais, como os responsáveis pelos programas de fidelização, que criam perfis comportamentais em suas interações com clientes e permitem que os titulares de dados acumulem e resgatem pontos a partir de suas compras.  

Em geral, a participação nesses programas e a concessão de descontos está condicionada ao tratamento de dados pessoais e dados sensíveis mediante o uso do consentimento, o que pode envolver falta de informação e de liberdade pelos titulares de dados. 

O estudo concluiu que há baixa maturidade dos agentes de tratamento do setor de varejo farmacêutico no que se refere à proteção da privacidade e dos dados pessoais, o que tem prejudicado o direito à informação dos titulares. 

Segundo a ANPD, após análise de investigações em curso por outros órgãos, como o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios e o Ministério Público de Minas Gerais, além de políticas de privacidade em vigor das principais redes investigadas, a CGTP realizou diálogos com diversas associações do setor para entender as operações de dados pessoais realizadas pelo setor. 

Hermann Santos de Almirante

Recent Posts

OpenAI implementa verificação de URLs para bloquear roubo de dados por agentes de IA

A OpenAI publicou um post técnico em seu blog em 28 de janeiro de 2026,…

5 dias ago

Quase 200 apps de IA para iOS encontrados vazando dados de usuários, dizem pesquisadores

A descoberta levanta questionamentos desconfortáveis para a Apple, que frequentemente cita seu rigoroso processo de…

1 semana ago

O Olho Digital que Tudo Vê: A Expansão do Reconhecimento Facial no Brasil e o Perigoso Vácuo da “LGPD Penal”

Enquanto milhões de brasileiros celebravam a chegada de 2026 nas areias de Copacabana ou na…

1 mês ago

Ataques disparam, mas proteção de dados retrocede em pequenos provedores

Menos da metade dos provedores de internet no Brasil estruturou de forma adequada a governança…

1 mês ago

Reconhecimento facial, IA e câmeras corporais avançam sem critério ou transparência?

O relatório “Algoritmos e Direitos: Tecnologias Digitais na Justiça Criminal” mostra que reconhecimento facial, sistemas…

1 mês ago

IA impulsiona boom da Black Friday, mas alimenta surto de phishing

A Black Friday 2025 está testemunhando uma transformação sem precedentes na forma como as pessoas…

2 meses ago